quarta-feira, março 29, 2006

Poema: Psoríase


Você surgiu na calada sem rastros...
Aproveitou-se da ingenuidade e fragilidade
E aos poucos, acariciou e deleitou-se
Sobre a pele, sobre os cabelos....

Foi assim que esbarrei contigo em plena adolescência.
Época em que descobria as emoções
E tentava desvendar os mistérios da vida.

Bela ávida e inteligente,
Uma vida pela frente.
A vaidade imperava, o mundo era meu...

Encontrei a paixão, tentei ser feliz,
Ousar, fazer e acontecer
Porque não poder?

Porque você se fazia mais e mais presente.

Aos poucos me isolou, distanciou os amigos,
levou meus sonhos, me constrangeu.
Vergonha, constrangimento... tentar amar e não poder,
Sentir o sangue ferver, a pele arder

Possessiva, ditou regras, impôs a burca,
Tomou conta, apoderou-se,
Até um anjo me roubou,
Criou abismos, destruiu paixões...

Secular e temporal, porem não a conheço,
Com que direito me tomou só para si?

Sou humana, tenho vida
Há sangue me minhas veias.
Você me limita, me irrita....
É disto que te alimenta?

Leste oeste, norte sul,
O universo se cala.
Nem o cosmo soube de ti
Nem a Luz foi capaz de exterminá-la.

Porém existe algo mais forte
que até a própria galáxia desconhece
Algo que só os humanos conhecem: A ESPERANÇA...

Esperança que renasce aqui entre nós,
Que criará elos de convivência pacífica em nosso coração,
De leveza no caminhar e riqueza no compartilhar
E Juntos nos conduzirá em busca de respostas.



Luciana Andrade
setembro de 2003.

http://www.abrapse.com.br/main.htm

2 Comments:

Anonymous Haroldo Tajra said...

Olá,

Fiquei surpreso ao ver o poema da psoríase no seu blog e gostaria de manter contato pelo email abrapse@abrapse.com.br.
A foto que você usou ficou muito bonita. Parabéns.

04:56  
Anonymous Magic Brother said...

Tenho viva a Psoríase dentro de uma alma ferida que desespera e exaspera por todos vós!
Tenho um irmão com essa terrível e debilitante doença…
Há quem diga que como ele já vive com esse problema há muito tempo
já o deveria ter aceitado!?…
Caminhar como se nada fosse? Como se nada doesse?
Não!
Para mim, não há… nem haverá tempo que apague tamanha mutilação.
Não haverá tempo nem lugar no nosso percurso que nos ajude a aceitar esta anomalia orgânica permanente; persistente e agressiva;…
Tão destruidora; tão inibidora; tão castradora; tão incisiva e invasiva….
Que atrofia; que martiriza… dia-a-dia
Que apaga de nós o brilho que deveríamos ser …
E a alegria que deveríamos dar e transmitir…


Passa, neste momento, por uma das fases mais difíceis da sua vida:
Pelo acumular de desilusões; pelo desgaste psicológico de muitos anos de sofrimento, na clausura da “burca”… e o complexo vestir uma simples manga curta…
Pela falta de liberdade para crescer e amadurecer com tranquilidade e equilíbrio;
Pela impossibilidade de ter podido escolher outros caminhos …
mas não!
Teve que aceitar a imposição da Maligna e arrasadora… que tão corrosiva se evidencia no olhar !descrente! de um irmão.
Os seus sorrisos perdidos que não voltam mais. E a esperança reduzida ao mínimo
Na força que não consigo dar…

Gostava de o poder ajudar mas ele não fala. Não se abre comigo.
Sofre em silêncio!... no silêncio tenebroso de uma dor que não cessa
e para a qual não existe nenhum analgésico capaz.

Se o meu abraço pudesse atenuar um pouco o sofrimento de todos os irmãos e irmãs nesta condição…
Diz-me Magic Guardian… Dá-me um pouco da tua magia…
Diz-me como poderei ajudar o meu Irmão nesta tão solitária caminhada?

Para que eu possa, de alguma forma, com a minha palavra e o meu abraço, ser um pouco “Guardian” de todos os Magic Guardians e em especial do meu…

M a g i c B r o t h e r!

13:06  

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